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Dia Mundial do Turismo



Comemora-se hoje o Dia Mundial do Turismo, sob o lema “Turismo Sustentável – Uma Ferramenta para o Desenvolvimento”.

O dia 27 de Setembro foi instituído como o Dia Mundial do Turismo – DMT, em 1980, pela Organização Mundial do turismo – OMT, com o objectivo de promover o conhecimento para a comunidade internacional sobre a importância do turismo, seus valores sociais, culturais, económicos e políticos, cuidando ainda dos impactos causados pela actividade, além de se observar a importância na resolução dos problemas relacionados à igualdade social.
Com o lema deste ano, pretende-se celebrar em forma de apelo a todos os intervenientes do sector, para assumirmos um papel responsável no desenvolvimento do turismo, sector que pode trazer benefícios para as comunidades locais e nacionais.
A Organização das Nações Unidas proclamou 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento em reconhecimento ao grande potencial da indústria do turismo, que responde por cerca de 10% da atividade econômica mundial, para contribuir para a luta contra a pobreza e promover a compreensão mútua e o diálogo intercultural, temas centrais da missão da UNESCO.
Em sua proclamação do Ano Internacional, a ONU declarou: “Promover mais entendimento entre os povos de todos os lugares, o que leva a uma maior conscientização sobre o rico patrimônio de várias civilizações e a uma melhor apreciação dos valores inerentes às diferentes culturas, contribuindo dessa forma para fortalecer a paz no mundo”.
Para mais informação consulte: http://www.unesco.org
Fonte da imagem: http://www.freepik.es/fotos-vectores-gratis/internacional-pasaporte

O Despacito do D. Dinis ☺


blog "Cais do Pico" de Ivo Sousa recebeu uma missiva real, emitida no coração da Vila de São Roque do Pico, informando que El Rei D. Dinis teve conhecimento do fenómeno "Despacito" e que ele próprio decidiu fazer uma nova versão.


Fica aqui uma brincadeira criada pelo blog "Cais do Pico" que tanto tem ajudado na divulgação desta ilha. Despacito do D. Dinis".



Fonte: http://www.caisdopico.pt/
 Ivo Sousa

Exposição sobre Antero de Quental e Vitorino Nemésio, em Toronto

A Região promove a exposição “Antero de Quental e Vitorino Nemésio: verbos vivos da cultura açoriana”, que será inaugurada hoje, dia 13 de setembro, na Biblioteca Pública de Toronto Bloor-Gladstone.
Esta exposição itinerante, que integra o programa da XX Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores que decorre em Toronto entre os dias 13 e 16 de setembro e que desta forma promove um momento cultural com a Diáspora, demonstra o objectivo do Executivo açoriano de divulgar a relevância da cultura açoriana e abri-la ao exterior, através de um trabalho de educação cultural, neste caso junto da Diáspora e em particular à comunidade residente em Toronto, revela nota do GACS.
A exposição tem como objetivo divulgar dois grandes vultos da literatura açoriana e nacional: Antero de Quental, nascido na ilha de São Miguel e considerado um dos maiores poetas e pensadores do século XIV, e o contista, romancista e crítico Vitorino Nemésio, natural da ilha Terceira, que é uma figura incontornável do século XX.
 
Composta por 28 painéis informativos nos quais é divulgada a vida e e obra de cada um dos autores, a exposição tem uma funcionalidade ‘didática e emotiva’, com predominância para a componente informativa, contemplando também a reprodução de manuscritos de Antero e escritos da autoria dos dois escritores, além de referências em diversos periódicos sobre os mesmos.
Por outro lado, da mostra consta também uma gravura de Urbano inspirada no poeta e na carta autobiográfica que este escreveu a Wilhelm Storck, além de um caderno de desenhos do pintor açoriano dedicado a Antero de Quental e uma reprodução do retrato de Vitorino Nemésio da autoria de DaCosta. Fazem ainda parte duas medalhas de Antero, uma da autoria do escultor açoriano Álvaro Raposo França e outra de Irene Vilar, e uma medalha de prata de Vitorino Nemésio.
Além dos painéis informativos, existem recursos multimédia que podem ser manuseados pelos visitantes e que também podem visualizar uma das edições do programa “Se bem me lembro” apresentado por Vitorino Nemésio na RTPAçores, bem como assistir a um vídeo produzido pelo Governo dos Açores que narra a biografia de Antero de Quental, no qual participam António Machado Pires, Rui Goulart, Laura Lobão e Anibal Raposo.









 
Fonte: http://www.acorianooriental.pt/noticia/exposicao-sobre-antero-e-nemesio-em-toronto-281797
 
Patrícia Machado

Banco D. João de Castro

O Banco D. João de Castro corresponde a um monte submarino localizado entre as ilhas Terceira e São Miguel, que se eleva a cerca de 1600 m dos fundos marinhos vizinhos e cujo topo encontra-se atualmente a cerca de 12 m de profundidade. Este edifício vulcânico submarino tem uma cratera no topo, com 450 m de diâmetro e cerca de 28 m de desnível, onde existe um importante campo fumarólico, de fontes hidrotermais de baixa profundidade, onde foram medidas temperaturas entre 39 e 83°C. Este vulcão poligenético já formou uma ilha - a chamada de “Ilha Nova” - aquando da atividade vulcânica ocorrida no ano de 1720 A.D., a qual entretanto desapareceu por ação erosiva marinha e devido a colapsos do cone vulcânico. Neste geossítio é possível fazer mergulho por entre focos hidrotermais e escarpas de falha e observar de perto este vulcão submarino ativo, assim como toda a flora e fauna característica deste ecossistema. Este é um geossítio do Geoparque Açores com relevância regional e interesse científico e geoturístico, e integrado no Parque Marinho dos Açores, na Rede Natura 2000 e classificado como área OSPAR.

Acesso: Por mar. Situa-se a 35 milhas de Angra do Heroísmo, a 38 milhas de São Miguel e a 55 milhas do porto de Ponta Delgada.

Coordenadas geográficas:  Latitude 38.12.00ºN - Longitude 26.33.00ºW

Tipo de fundo: Extremo superior de uma antiga caldeira rodeada por algumas paredes verticais. Pequenas covas de gigante. Falhas vulcânicas por onde são libertados gases quentes.

Fauna característica: Patruças, peixes-porco, jamantas, cavala-da-Índia, lírios e bicudas.

Flora dominante: Sargassum sp.

Número de espécies: 221, veja quais em http://www.horta.uac.pt/scubazores/D_Joao/ListaSpp.htm

Segurança: Risco. Zona oceânica, hidrotermalismo e correntes de maré.

Observações: Zona com hidrotermalismo. Tapetes de bactérias termófilas nas zonas activas de hidrotermalismo.


Fontes:
https://www.azoresgeopark.com/geoparque_acores/geossitios.php?id_geositio=56
http://www.horta.uac.pt/scubazores/D_Joao/
Dive Cooky video: https://www.youtube.com/watch?v=vHPsCZY-5DY

Subidas à montanha do Pico atingiram novo recorde na terça-feira

As subidas à montanha do Pico atingiram na terça-feira, dia 15 de agosto, um novo recorde diário, com 384 pessoas a escalar o ponto mais alto de Portugal, de 2.351 metros, disse à agência Lusa o Diretor regional do Ambiente dos Açores.
“O último recorde foi num dia que não posso precisar, mas algures em agosto de 2013, quando subiram 329 pessoas”, afirmou Hernâni Jorge.
Segundo Hernâni Jorge, “julho e agosto, tradicionalmente, sempre foram meses bastante procurados pelos visitantes e pelos locais, também, para a subida à montanha”.
“Mas temos vindo, de forma consistente nos últimos anos, a verificar uma subida no número de escaladas, sendo que por exemplo hoje, durante a manhã, por volta das 05:30 [mais uma hora em Lisboa] ultrapassámos já as dez mil subidas desde 01 de janeiro, valor esse que no passado só tinha sido atingido em 2015 e em 2016”, explicou o responsável.
O Diretor Regional do Ambiente precisou que no caso de 2015, as dez mil subidas foram ultrapassadas em meados de outubro, enquanto no ano passado tal aconteceu no mês de setembro.
“Se se mantiver a procura que temos vindo a verificar na primeira quinzena de agosto, perspetivamos que até ao final do mês possam ser ultrapassadas as 12.317 subidas de todo o ano de 2016”, salientou.
Hernâni Jorge referiu que há um limite de permanência em simultâneo no trilho da montanha, de 160 pessoas, podendo em situações excecionais ser autorizado um acréscimo de 25%, até ao máximo de 200 pessoas.
“No Piquinho [70 metros acima da cratera], a permanência em simultâneo é de 30 pessoas por um período máximo de 30 minutos”, adiantou, explicando que “nesta altura estarão mais de cem pessoas em lista de espera para procurar subir a montanha durante o dia de hoje, aguardando que outras desçam para poderem iniciar a sua subida”.
O Diretor Regional do Ambiente dos Açores informou que uma grande percentagem dos visitantes da montanha são turistas, “com predomínio dos nacionais não residentes na ilha”, destacando, igualmente, “bastantes estrangeiros com predominância dos alemães e, nos últimos anos, também com uma grande relevância de franceses e italianos”.
Hernâni Jorge justificou ainda o aumento de escaladas à montanha com diversos fatores.
“A montanha é imponente, afirma-se no contexto da ilha, ocupando várias perspetivas que temos da paisagem”, realçou, salientando que esta é uma reserva natural, “uma das primeiras do país e da região”, criada há 45 anos.
Nesse sentido, acresce um conjunto de fatores naturais, como os ecossistemas e “as espécies que podem aí ser encontradas”, assim como o desafio que passa “pela escalada do ponto mais alto de Portugal e um dos pontos mais altos do Atlântico Norte”, afirmou.
De acordo com a página na Internet dos Parques Naturais dos Açores, “embora não sendo uma escalada técnica, a subida à montanha do Pico é de grau de dificuldade médio/elevado”.
“O trilho tem uma extensão total de cerca de 7.600 metros (3.800 metros desde a base até ao cume) e um desnível de 1.100 metros, iniciando-se na Casa da Montanha, a 1.230 metros de altitude, onde todos os caminhantes fazem o registo de subida, atingindo o cume aos 2.351 metros de altitude e terminando com o regresso à Casa da Montanha”, adianta.
 
 




Fonte:http://www.acorianooriental.pt/noticia/subidas-a-montanha-do-pico-atingiram-novo-recorde-na-terca-feira-281280
 
Patrícia Machado

Flora açoriana: Araucária

Esta árvore que tem como nome científico Araucaria heterophylla, pertence à família Araucareacea, tem a sua floração em Março e Abril, é originada da Austrália e pode encontrar-se em todas as ilhas dos Açores.
Possui um tronco vertical e ramos simétricos dispostos em andares e pode atingir os 60 metros de altura.
As folhas nas árvores jovens são em forma de agulha. Nas árvores mais velhas são em forma de escama (o nome científico heterophylla deve-se a esta variação entre as folhas jovens e adultas). Nos Açores, esta espécie foi introduzida em jardins devido ao seu êxito, crescimento rápido e destaque na paisagem.
Mais tarde passou a ser utilizada em jardins públicos para assinalar pontos ou datas memoráveis.


 
 
 
 
 
Fonte: Livro “Guia do Parque Natural de São Jorge, Açores” / http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/2008/10/
 
Patrícia Machado


Lenda da Borboleta da Ilha do Pico









Era uma vez uma borboleta  enorme, com asas muito coloridas em forma de coração.
Tinha um feitio atrevido, curioso e era muito veloz.
Certo dia, ouviu dizer que dentro da montanha da ilha do Pico, havia um Reino de Fantasia.
Decidiu investigar e encontrou uma de 3 passagens para lá entrar - foi a passagem aérea, acessível a partir do cume do Piquinho.
Ainda havia uma passagem terrestre a partir das Grutas das Torres e uma outra - aquática - situada no Porto da Madalena.
Quando entrou dentro da Montanha, de imediato transformou-se numa princesa e deixando de poder voar, caiu em cima de algas fofinhas.
Como era muito habilidosa (e vaidosa também) tricotou um vestido verde com as algas.
Encontrou um Rei e um Principe que se apaixonou por ela de imediato.
Mas, como era muito timido, não teve coragem de se declarar pessoalmente e entregou-lhe um bilhete onde perguntava se ela queria casar com ele.
A Princesa Borboleta disse que sim.
Casaram, fizeram uma festa e tiveram 5 filhos - um cagarro, um cachalote, um milhafre, uma vaca e um golfinho - que por sua vez cresceram, fizeram as suas famílias e continuam a viver nas ilhas dos Açores.

Fonte:http://www.cacores.ca/index.php?option

Encontrados nos Açores fósseis de uma nova ave já extinta

Antes da sua colonização, o arquipélago açoriano teve espécies que nunca conhecemos. Chega agora até nós o priolo-maior-dos-açores (só em fóssil) descoberto numa pequena gruta de um vulcão na ilha Graciosa e que pode ter sido extinto pelos seres humanos.
 
Reconstituição do priolo-maior-dos-Açores
 
Em tempos, houve uma ave que habitou a ilha Graciosa, no arquipélago dos Açores. Em toda a imensidão do oceano Atlântico, uma das ilhas mais pequenas deste arquipélago (cerca de 62 quilómetros quadrados) e aquela que está mais a norte do grupo central era a única casa dessa ave. O seu bico era pequeno mas largo. Voaria como um outro priolo seu parente, que vive hoje na ilha de São Miguel. E até se diz que o crânio dessa ave era o maior de todas as do seu género. Mas quando os seres humanos começaram a colonizar os Açores e espécies invasoras se instalaram lá a sua vida foi destruída. Terá sido este o seu fim.
Tudo isto só se soube agora, através de um artigo científico na revista Zootaxa, depois de um grupo de cientistas de Portugal (com Fernando Pereira, da Universidade dos Açores), Espanha e dos Estados Unidos ter encontrado os ossos desta ave na Furna do Calcinhas, uma pequena gruta situada na Caldeira, um vulcão no Sudeste da Graciosa. A Pyrrhula crassa (com o nome comum de priolo-maior-dos-açores) é assim uma nova espécie de ave passeriforme (ordem da classe das aves).
Algures no Sudeste da Graciosa, em sedimentos do vulcão da Caldeira, que tem 12 mil anos, havia vários ossos de uma ave. Eram sobretudo ossos do crânio, mas também úmeros ou um coracóide. O próximo passo foi comparar esses ossos fossilizados com os de outras três espécies do género Pyrrhula (para se perceber que ave seria), que ainda existem: a Pyrrhula pyrrhula (ou dom-fafe, da Euroásia), a Pyrrhula murina (ou priolo, só dos Açores) e a Pyrrhula erythaca, da Ásia.
A partir dos fósseis encontrados, reconstituiu-se a mandíbula e percebeu-se que era mais larga do que as das restantes espécies do género Pyrrhula. Pela sua robustez, agora tem o nome científico Pyrrhula crassa, afinal, crassa em latim significa “grosso”. Através de outras comparações, viu-se, por exemplo, que o úmero da nova espécie é mais longo cerca de 24% do que o da Pyrrhula pyrrhula. A mandíbula da nova espécie também é 23% mais longa do que a da Pyrrhula murina. Percebeu-se então que os seus ossos são maiores e mais robustos do que os dos seus familiares Pyrrhula pyrrhula e Pyrrhula murina.
À esquerda, a reconstituição do priolo-maior-dos-Açores e à direita, o seu crânio e mandíbula
 
Também devido às comparações, pensa-se que a Pyrrhula crassa deveria ter uma capacidade de voo semelhante à do priolo de São Miguel (ou Pyrrhula murina). “As estimativas do peso e tamanho dos ossos da asa sugerem que ele deve ser uma espécie voadora, embora um voo deve ser algo pesado”, diz-nos ainda Josep Alcover.
O investigador indica que o peso desta ave deve rondar os 50 gramas. Já a dimensão e a forma do bico sugerem que teria a mesma alimentação dos seus parentes, como pequenas sementes, bagas e frutas.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: https://www.publico.pt/2017/08/01/ciencia/noticia/encontrados-nos-acores-fosseis-de-uma-nova-ave-ja-extinta-1780935
 
Patrícia Machado

Pintura de Murais em Santa Cruz das Flores







associação Choki completou o seu primeiro projeto de paixão na ilha de Flores, com a muralista de belas artes Morgan Bricca, que já pintou mais de 450 murais em mais de 30 cidades diferentes durante a sua vida de artista, incluindo noGoogle Community SpaceWorld Forestry Center Discovery MuseumAugusta Masters Golf Course, entre outros.

O desafio do projeto de paixão de Morgan Bricca foi pintar quinze murais em 21 dias usando apenas pincéis e os seus conhecimentos de belas artes, exibindo o mais alto padrão de integridade artística e apoiando-se na beleza natural da ilha de Flores. A artista não só aceitou o desafio, mas ultrapassou todas as expectativas de profissionalismo, integridade e dedicação ao seu trabalho.

A ilha das Flores merece o melhor e a associação Choki Açorepromete fazer o seu melhor para trazer as pessoas mais excepcionais do mundo à ilha das Flores para contribuir para a preservação ambiental, a beleza e para a comunidade, para o benefício de todos.


associação Choki gostaria de agradecer a todos que contribuíram em Santa Cruz para o projeto e à Morgan Bricca.Agradecimentos especiais para Morgan Bricca, Casey Hartnett, Andrea Pinto, Dora Santos, João Alves, João Pereira, José Fernando Nóia, António Almeida e Edgar Tavares.


Fonte: Fórum da Ilha das Flores


1º Festival de Musica Terra dos Barcos


De 8 a 10 de Agosto irá se realizar o primeiro Festival de Musica da Terra dos Barcos, na Freguesia de Santo Amaro do concelho de São Roque do Pico. 
No dia 10 de agosto haverá caldo de peixe e serão surpresa.

Lendas açorianas - A Furna dos Encantados

Nos Rosais havia uma terra de pasto, dentro da qual ficava uma furna com o nome de Furna dos Encantados porque ali viviam pessoas que estavam encantadas.
 Numa certa altura, o dono da terra pôs lá uma vaca leiteira e costumava ir ordenhá-la e dar-lhe muda, todos os dias de manhã. Mas, passados alguns dias, quando o homem chegava à terra para tirar o leite, a vaca estava já mamada e tinha preso num galho um saquinho com dinheiro para pagamento.
 Este acontecimento foi-se repetindo e o homem estava cada vez mais admirado e mesmo já um pouco raivoso. Um dia decidiu e disse lá para si: 
 — É hoje que vou apanhar o marau que anda a beber leite da minha vaca. Ainda que eu não durma esta noite, ele vai ser descoberto.
 Lá foi para a terra. Escondeu-se o melhor que pôde atrás de uma parede, protegido por alguns arbustos.
 Algum tempo depois de estar de vigia, o lavrador viu um homem sair da furna onde viviam os encantados. Ordenhou a vaca, pegou no saquinho e dependurou-o no corno do animal e foi-se embora, em direcção ao lugar de onde tinha vindo, sem que o lavrador tivesse tido coragem de sair do esconderijo e dizer alguma coisa.
 O dono da terra tinha ficado muito admirado e medroso de ver que era um encantado e, sem saber o que lhe poderia acontecer, resolveu ficar bem escondido.
 Mas, a partir daquele dia, o encantado, talvez por saber que o tinham vigiado, nunca mais veio ordenhar a vaca.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte:http://www.lendarium.org/narrative/a-furna-dos-encantados/ https://br.pinterest.com/pin/125045327128780370/
Patrícia Machado
 
 
 

Azores - First Pictures (1943)



FILM ID:1097.29
https://www.youtube.com/watch?v=BV972JOzp_g
Publicado por: BRITISH PATHÉ
FOR LICENSING ENQUIRIES VISIT http://www.britishpathe.com/

A Orquídea mais Rara da Europa está nos Açores





Tanto quanto se sabe, a espécie vive apenas na ilha de São Jorge, estando circunscrita ao Pico da Esperança e a alguns locais à volta. Só cerca de 250 plantas com flor foram aí localizadas pelos cientistas, que defendem agora a sua protecção.


A botânica Mónica Moura andava em expedição pela ilha de São Jorge em 2011 quando, a certa altura, se deparou no campo com umas orquídeas cujas flores eram bem visíveis. Pareciam-lhe tão grandes – em comparação com outras, porque estas orquídeas selvagens têm todas flores diminutas – que, ao princípio, a botânica da Universidade dos Açores até pensou estar perante uma espécie nova para a ciência. Enviou fotografias por email ao biólogo com quem investigava as orquídeas dos Açores, o britânico Richard Bateman – e ele, inicialmente, achou o mesmo. Estavam longe de imaginar que iriam desvendar o misterioso caso de uma espécie de orquídea desaparecida há cerca de 170 anos e que é actualmente considerada a mais rara da Europa.


Fonte:http://www.iloveazores.net/

Naufrágios nos Mares do Açores






Um projecto inédito de cartografia e modelação subaquática procura fornecer aos mergulhadores que visitam a Região Autónoma dos Açores uma ferramenta única para coordenar as actividades turísticas sustentáveis entre o vasto espólio de destroços subaquáticos do arquipélago. Pela primeira vez, há mapas dos labirintos submersos.

A escuridão da noite era quase total naquele dia de Setembro de 1901 em que um comandante, enganado por uma 
 avaria no sistema de navegação do seu navio e pela ausência de faróis em terra – os faróis começavam então a ser instalados nos Açores –, encaminhou-se traiçoeiramente na direcção da costa da ilha do Pico, próximo da vila da Madalena. Ali, o navio de 97 metros de comprimento embateu nas rochas e naufragou.

A cerca de nove metros de profundidade, o destroço da barca francesa Caroline, construída nos estaleiros de La Loire em Nantes em 1895, aparelhada com quatro mastros, é bem conhecido dos mergulhadores locais. O Caroline pertencia a uma das maiores companhias de navegação do seu tempo e fazia viagens regulares entre o Chile e a Europa, transportando pessoas e bens. Entre os produtos que carregava, destacava-se o mais valioso – o famoso nitrato do Chile, o fertilizante ainda evocado em muitas aldeias do interior de Portugal. Nesta ocasião, navio e carga nunca  chegaram ao destino.

A perda do Caroline faz parte da história trágico-marítima de um arquipélago onde, com base na carta arqueológica, repousam mais de setecentos navios que representam pelo menos cinco séculos de navegação. Muitos ainda são evocados na tradição oral insular e as peripécias são narradas de geração em geração, sobretudo nos casos trágicos em que o respectivo navio arrastou para o fundo membros da tripulação. Muitas viagens foram abruptamente interrompidas nestas águas, deixando aqui uma marca profunda e vasto território de pesquisa para os arqueólogos subaquáticos.

O picaroto José Bettencourt é investigador do Centro de História d’Aquém e d’Além-Mar, das Universidades Nova de Lisboa e dos Açores, e trabalha em parceria com o Observatório do Mar dos Açores. Nos últimos anos, a sua equipa de investigação tem desenvolvido um projecto de recuperação de alguns destes naufrágios congelados no tempo, de forma a mapear – de forma acessível, completa e rigorosa – a zona do destroço e, ao mesmo tempo, obter no processo informação inédita sobre técnicas de construção, materiais utilizados e cargas transportadas. Ao contrário do que se poderia imaginar, os membros do projecto passam pelo menos tanto tempo à superfície como debaixo de água, pois a investigação recorre a modernas técnicas de fotogrametria e visualização tridimensional.


Financiado pela Associação de Turismo dos Açores, o projecto desenvolve, neste momento, o mapeamento de três destroços: o do Caroline na ilha do Pico, o do Main no Faial e o do Lidador na Terceira. “O objectivo é potenciar a visitação por parte dos operadores de mergulho locais, dotando-os de suportes interpretativos que ajudem os mergulhadores recreativos a compreender e conservar os achados que ganham agora uma nova vida”, explica José Bettencourt.
Foram escolhidos destroços consolidados, razoavelmente estudados e acessíveis a mergulhos comerciais, na expectativa de desenvolver, como noutras regiões do globo, um produto turístico sustentável e inovador. Numa parceria entre o Turismo dos Açores e a Direcção Regional da Cultura, foi igualmente produzido um guia do património cultural subaquático.

“Quando mapeamos um navio, agrupamos as centenas de fotografias recolhidas, que compõem o mosaico dos destroços no fundo do mar e estamos a abrir uma nova janela de conhecimento”, diz José Bettencourt. “É como se embarcássemos numa cápsula do tempo e, de repente, regressássemos aos momentos em que o navio colapsou, passo a passo. A observação de um navio mapeado permite observar todo o contexto do sítio arqueológico.”

Foi isso que sucedeu com o vapor inglês Main, de 101 metros de comprimento, construído em 1868 pela Caird & Company Greenock, que naufragou na ilha do Faial em 1892. A família Dabney, pioneira da fotografia naquela ilha do Grupo Central, imortalizou o momento numa imagem que regista o navio em chamas, perdido na baía de Porto Pim com uma carga de algodão e gado proveniente da cidade americana de Nova Orleães e destinada a Liverpool. O incêndio começou no sector de alimentação do gado e sentenciou esta embarcação a repousar a cerca de cinco metros de profundidade.

“Apesar de ser conhecido há muito tempo pela população local, sabíamos pouco sobre os destroços deste naufrágio”, acrescenta José Bettencourt. “O mapeamento revelou uma dimensão insuspeita. Os restos do Main estendem-
-se por mais de uma centena de metros, incluindo a popa, parte do costado de estibordo e a proa. É impressionante porque a fotografia compósita agora construída ilustra um esqueleto despido da pele, onde domina o escovém, por onde passava a amarra de uma das âncoras.” Em torno desta estrutura adivinha-se o alinhamento dos vaus do convés, que sugerem que o outro bordo se encontra enterrado. O trabalho revelou também que o Main abriga uma extensa biodiversidade, funcionando como um verdadeiro recife artificial, cuja colonização pode ser determinada como um relógio natural, pois existe uma data precisa para o momento em que chegou ao fundo.


A técnica de mapeamento de um navio consiste na captação de centenas de fotografias por um operador pairando lentamente sobre a área dos destroços, em varrimento de toda a zona, complementado com a colocação de pontos que permitem depois executar medições exactas susceptíveis de revelar a extensão de todo o destroço.

Os métodos de fotogrametria desenvolveram-se significativamente nos últimos anos e tornaram-se acessíveis a aplicações industriais ou científicas. Correspondem a uma cobertura sistemática do objecto a registar em fotografia com grande sobreposição, idealmente de 80% entre cada fotografia. Incluem igualmente o levantamento topográfico de pontos de referência que permitem orientar e georreferenciar os modelos. “Mas continuamos a utilizar metodologias tradicionais, pois a tecnologia ainda não substituiu o homem”, adverte o responsável pelo projecto.

A câmara vai registando os pormenores que escapam ao olho humano e devolve informação detalhada, que permite depois compreender e interpretar o que resta do navio através do processamento e tratamento informáticos dos dados. “O processamento dos dados permite gerar vários documentos, ortofotografia, modelos digitais do terreno, animações ou vídeo do sítio arqueológico – tudo em alta resolução”, diz Bettencourt.

O naufrágio do vapor brasileiro Lidador, em Fevereiro de 1878, a sete metros de profundidade na baía de Angra do Heroísmo (hoje classificada como Parque Arqueológico) ocorreu numa noite de forte tempestade e constitui, para lá da tragédia náutica, outro excelente exemplo da utilização desta técnica.
Construído em Londres em 1873, com 78,67 metros de comprimento e equipado com dois modernos motores a vapor, era mais um navio de ferro que fazia neste período a transição da marinha mercante à vela para a propulsão exclusivamente a motor. Efectuava carreiras regulares entre o Brasil, Portugal continental, as ilhas dos Açores e Madeira e desempenhou um papel relevante nos movimentos migratórios para o Brasil através da Companhia Brasileira de Navegação Transatlântica, como se constata pelo vasto acervo de anúncios de recrutamento publicados na imprensa portuguesa da época.


Fonte:http://www.iloveazores.net

Jardim Antero de Quental com estátuas de perfis literários dos Açores

O presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, em São Miguel, divulgou que vão ser produzidas três estátuas no jardim Antero de Quental, do poeta, de Vitorino Nemésio e Natália Correia, integradas na política de valorização do seu legado.
"Por evocação da memória de Antero de Quental e da sua importância temos vindo a desenvolver o compromisso de valorizar todo o seu legado”, declarou José Manuel Bolieiro, em conferência de imprensa realizada no jardim com o nome do filósofo, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
O presidente do maior município dos Açores, que relembrou já ter sido criado pela Câmara Municipal o dia municipal de Antero de Quental, mencionou que esta iniciativa se integra no conjunto de eventos que visa a valorização do seu pensamento literário e intelectual, surgindo as estátuas de Vitorino Nemésio e Natália Correia na perspetiva de valorização do legado anteriano.
“A estatuária vai permitir a valorização deste espaço, uma vez que estas são referências da literatura e do pensamento dos Açores, tornando-se assim o jardim mais atrativo para a leitura”, disse o autarca, que acrescentou que esta iniciativa será “também um momento de cultura, desenvolvimento e aprendizagem”.
 
 
José Manuel Bolieiro declarou que o jardim será ainda dotado de um livro que será incorporado numa árvore sem que a mesma seja danificada, sendo ainda criados três livros tora protegidos por uma caixa de acrílico.
Antero Tarquínio de Quental nasceu no seio de uma família ilustre em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, há 175 anos.
Poeta, filósofo e agitador político, foi considerado um dos grandes sonetistas da literatura portuguesa, tendo publicado a sua primeira obra, intitulada “Sonetos de Antero”, em 1861.
Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, trabalhou numa tipografia, fundou o jornal “A República” e, com Eça de Queirós, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão, organizou uma série de conferências democráticas conhecidas como “Cenáculo”, no Casino Lisbonense, que acabou fechado por decreto real.
É parceiro da Câmara Municipal de Ponta Delgada nesta iniciativa a Nova Gráfica, possuidora da editora Letras Lavadas, cujo responsável, Ernesto Resendes, que anunciou a realização da Festa do Livro Açoriano, em Ponta Delgada, de 14 a 23 de julho, com o apoio do munícipio e da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada.







Fonte:http://www.acorianooriental.pt/noticia/jardim-antero-de-quental-com-estatuas-de-perfis-literarios-dos-acores
 
Patrícia Machado

Gruta das Torres - Monumento Natural





Nome do Geossítio: Gruta das Torres
Ilha/ Concelho/ Freguesia: Pico/ Madalena / Criação Velha 
Área/ Altitude: 0,64 km2/ 150-322m

Estatuto legal: MN - Monumento natural
Descrição: A Gruta das Torres, localizada na ilha do Pico, é o maior tubo lávico conhecido em Portugal, com 5150 m de comprimento total. Formou-se a partir de escoadas lávicas de erupção vulcânica com origem no Cabeço Bravo, no complexo vulcânico da Montanha. É constituída por um túnel principal - que se desenvolve ao longo de 4480 m e é na sua maior parte de grandes dimensões, podendo atingir alturas de 15 metros - e por vários túneis secundários lateraise superiores, que apresentam dimensões mais reduzidas. O seu interior é rico em formações vulcanoespeleológicas como estalactites e estalagmites lávicas, bancadas laterais e lava balls. As lavas que formam o chão são do tipo aa e pahoehoe e estão bem preservadas, com setores cobertos por blocos rochosos resultantes de desabamentos das paredes e do teto da gruta. Na gruta existem bolores, bactérias e entmofauna cavernícola própria destes locais. É possível visitar esta cavidade vulcânica através do Centro de Visitantes da Gruta das Torres. Este é um geossítio prioritário, com relevância regional e interesse e uso científico, económico, educacional e geoturístico.


Fonte: https://www.facebook.com/AzoresGeopark

Paisagem da Cultura da Vinha do Pico


Lajido da Criação Velha
O Arquipélago dos Açores, parte integrante de Portugal, goza de um estatuto que lhe confere autonomia política e administrativa, o que o caracteriza como Região Autónoma.
Está situado em pleno Atlântico Norte, a cerca de 1500 Km da costa ocidental do continente europeu e a, aproximadamente, 3900 Km do ponto mais próximo das costas da América do Norte.
É constituído por nove ilhas e alguns ilhéus, todos de origem vulcânica que, sob o ponto de vista geográfico e atendendo à sua proximidade relativa, estão distribuídas por três grupos: o grupo Oriental, com as ilhas de Santa Maria e São Miguel; o grupo Central, reunindo as ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge,Pico e Faial e o grupo Ocidental, que engloba as ilhas Flores e Corvo.
O Arquipélago ocupa uma zona económica exclusiva (ZEE) de cerca de um milhão de Km2.
A ilha do Pico está localizada entre as longitudes 28º01’40,5’’ e 28º32’34,3’’ Oeste e as latitudes 38º22’55,4’’ e 38º33’40,5’’ Norte Em extensão, é a segunda maior ilha dos Açores, correspondendo a uma área de 447 Km2 Nesta ilha está situado o ponto mais alto dos Açores e de Portugal: a montanha do Pico, que atinge a altitude de 2351 metros.
A paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico, ocupa uma área total de 987 ha, envolvida por uma zona tampão com 1.924 ha. É composta por uma faixa de território que abrange parcialmente as costas Norte e Sul, e a costa Oeste da ilha, tendo como referência emblemática dois sítios - o Lajido da Criação Velha e o Lajido de Santa Luzia, implantados em extensos campos de lava caracterizados por uma extrema riqueza e beleza natural e paisagística.

Estes sítios foram classificados por constituírem excelentes representações da arquitetura tradicional ligada à cultura da vinha, do desenho da paisagem e dos elementos naturais. A diversidade faunística e florística aí presentes estão associadas a uma abundância de espécies e comunidades endémicas, raras e com estatuto de proteção.  Este bem consiste numa espantosa rede de longos muros de pedra, espaçados entre si, que correm paralelos à costa e penetram em direção ao interior da ilha. Estes muros foram erguidos para proteger do vento e da água do mar as videiras, que são plantadas em milhares de pequenos recintos retangulares (currais), colados uns aos outros. Remontando ao século XV, a presença da viticultura manifestou-se através desta extraordinária manta de retalhos de pequenos campos, de casas e quintas do início do século XIX, de ermida, portinhos e poços de maré.
A paisagem modelada pelo homem, de uma beleza extraordinária, é o melhor testemunho que subsiste de uma atividade outrora muito ativa.
 FONTE: "Paisagem da Cultura da Vinha do Pico", "Gabinete Técnico da Vinha do Pico"
Foto: http://siaram.azores.gov.pt/patrimonio-cultural/vinhas-pico/criacao-velha/galeria/3.html

A lenda do Corvino, Faquir e Pirata

A Lenda do Corvino, Faquir e Pirata


Por meados do século quinze, no pequeno aglomerado populacional da ilha do Corvo, havia uma mulher que tinha um filho bastardo. Já nessa altura, os corvinos, apesar da sua bondade natural, rejeitavam as mulheres que tinham filhos, sendo solteiras, pondo-as de lado ou obrigando-as a sair da ilha. Essa mulher era tida como bruxa e acreditava-se nos seus poderes maléficos. 
 O filho, Alípio, sofreu muito na infância e já quando rapazote com os vexames por que sua mãe passava. 
 Ora um certo dia, os piratas argelinos, em busca de gado e outros produtos, atacaram a ilha do Corvo e levaram o rapaz, que, querendo fugir à terra, não impôs resistência, antes se ofereceu aos invasores. 
 Depois de viajarem muito tempo, chegaram a Túnis, onde o jovem corvino foi oferecido a um faquir. De Alípio passou a Ali. Aprendeu todos os poderes dos faquires mais eminentes. Via fenómenos através de corpos opacos a léguas de distância; deixava-se cortar por alfanges e punhais, aparecendo rapidamente curado. Apesar de toda esta maravilhosa penetração de espírito, própria de um faquir, e de trazer bordado no peito um pentagrama, emblema da sua autoridade intelectual em magia, aborrecia a dura penitência e a pobreza que todo o faquir pratica para adquirir a santidade. 
 O jovem Ali cobiçava a riqueza e guardava na alma uma frase que sua mãe lhe dizia, há muitos anos atrás, na pobre casa, à beira-mar, naquela pequena ilha tão distante: “pobreza não é vileza, mas é um ramo de picardia”. 
 Quando atingiu a idade de homem feito, marcado pela ideia de riqueza e talvez pela ânsia íntima e quase inconsciente de voltar ao Corvo e se vingar, abandonou o sábio faquir com quem vivia e incorporou-se num bando de piratas, como comandante. Cantava, com um tom de fatalismo muçulmano:

Mandei ler a minha sina 
E a sina me respondeu 
Que um triste fugir não pode 
A sorte que Deus lhe deu.


 Saíram do porto marroquino de Larache em duas galeras, rumo às ilhas dos Açores e, porque o vento assim o permitiu e a manha e o poder do faquir, assim quiseram, foram ter à ilha do Corvo. 
 Perante as negras penedias onde passara a sua infância, Ali experimentou uma grande confusão de sentimentos: a alegria de voltar a ver a terra perdida e o desejo de vingar sua mãe. 
 Mandou lançar ferro para os lados da baía da praia, onde não os podiam ver do povoado. Conhecia o lugar como a palma das suas mãos. Ali tinha brincado horas a fio, apanhando peixes, estrelas do mar ou nadando nos dias quentes de Verão. Lançaram ao mar uma lanchinha e vieram para terra. 
 Entretanto uma mulher, que estava a apanhar lapas na Ponta da Areia, quando viu aquela galera por ali dentro, desconfiou que eram piratas. Na altura só se falava neles e nos estragos que faziam. Largou as lapas e, a correr, veio para as casas anunciar em altos gritos o que tinha visto. Os homens da terra alvoroçaram-se e foram para cima dos cabeços, situar-se em bom lugar, porque o terreno como era escarpado, os piratas só poderiam sair por um determinado sítio. 

 Quando os invasores vinham pelas rochas fora, decididos a roubar gado e quem sabe que outros prejuízos fazer, os homens da terra foram às ombreiras das paredes e começaram a rolar pedras com rapidez e força para cima dos piratas, que recuaram, dizendo:
 — Se vamos para diante a gente morre.
 Desistiram do seu intento, meteram-se no botezinho para ir para a galera, que estava ancorada mais fora. Mas, ou porque o mar mexia muito ou porque com a pressa a manobra foi mal feita, o barco quebrou.
 A raiva cresceu entre os piratas, pois a nado nunca conseguiriam chegar ao navio e, ficando ali, seriam caçados pelos da terra. Desconfiados de que o comandante os tinha trazido para serem capturados pelos corvinos, disseram:
 — Tu és filho do Corvo, armaste-nos uma emboscada!
 Sacaram as facas e cortaram-lhe o pescoço, ficando a cabeça caída na areia.
 Os piratas conseguiram fugir, o corpo do comandante foi levado pelo mar. Mas a cabeça degolada ficou e os da terra, quando se aproximaram, reconheceram, por um sinal na cara, que se tratava de Alípio, há tanto tempo levado pelos piratas.
 Enterraram a cabeça na areia, mas ela no dia seguinte apareceu desenterrada, ululando pelos rochedos. E assim foi durante muitos e muitos anos, até que por fim se aquietou para sempre a alma do infeliz corvino, feito faquir e depois pirata.

Fonte BiblioFURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999 , p.284-286