Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas premiado




O Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, sedeado na Ribeira Grande, foi um dos quatro projetos portugueses premiados na X Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo (BIAU), juntamente com a Casa no Tempo, em Montemor-o-Novo, a sede corporativa da EDP, em Lisboa, e a Casa E/C, na ilha do Pico.
O 'Arquipélago' foi selecionado pelo júri entre 26 projetos dos 194 propostos pelos comités nacionais de 21 países, que analisaram no total 1.111 obras, juntamente com seis livros, dois jornais e uma coleção de vídeos.

O desenho do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas mantém o carácter industrial do conjunto e tematiza o diálogo entre uma construção existente (antiga fábrica do álcool e tabaco) e novas construções (fábrica da cultura, produção de arte, reservas, sala multiusos/artes performativas, oficinas, laboratórios, estúdios-ateliers de artistas).

O projeto, da autoria de Francisco Vieira de Campos, Cristina Guedes e João Mendes Ribeiro, compromete-se com a qualidade do existente, pondo em manifesto as variações tipológicas, sendo os novos edifícios colocados ao lado dos existentes de forma “serena”, clarificando o que é existente num determinado período e o que se lhe acrescenta, sem ferir ou desvirtuar as estruturas espaciais e construtivas do conjunto, pelo que o contexto e a contiguidade contribuem para a autonomia do objeto.

O júri da X BIAU premiou ainda o arquiteto Eduardo Souto Moura, entre 21 candidaturas apresentadas, reconhecendo uma obra “plena de emoção” e o importante contributo no ensino em universidades em diversos países.

O júri reviu 194 propostas pré-selecionados por comités nacionais em 21 países, atingindo um total de 26 trabalhos vencedores, localizados na Argentina, México, Portugal, Equador, Paraguai, Brasil, Uruguai, Colômbia, Chile e Espanha.

Os trabalhos vencedores são principalmente obras arquitetónicas, onde constam edifícios públicos, como centros culturais, teatros, museus, casas de diferentes tipologias e até mesmo um estábulo.

A Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo é uma iniciativa do Governo de Espanha, em colaboração com várias instituições latino-americanas, sendo uma das referências fundamentais para a atualidade da arquitetura e urbanismo na comunidade latino-americana.

Este evento promove o reconhecimento e divulgação das obras mais significativas da arquitetura e do urbanismo, as melhores publicações, o trabalho de pesquisa proeminente e as melhores ideias de arquitetos e estudantes arquitetura.





http://www.acorianooriental.pt/noticia/arquipelago-centro-de-artes-contemporaneas-premiado

Carolina Melo e Simas

Tradição dos "Maios" mesmo em dia de chuva

No passado  dia 1 de Maio 2016 dia do Trabalhador e dia da Mãe, em Santa Maria manteve-se a tradição, de fazer os  “maios” e expor-los no exterior das residências. 
Algumas entidades e associações, bem como alguns particulares, fazem questão de anualmente exibirem tais elementos da nossa tradição.

Felizmente a chuva não impediu que a tradição saí-se à rua!

Foto: http://santamariaazores.net
Os "Maios" são bonecos que representam pessoas, em tamanho natural, vestidos e calçados com a nossa roupa, em atitudes humanas normais, sozinhos ou em grupo, representando cenas do quotidiano (passado ou actual). Julgamos que esta tradição remonta ao inicio do povoamento dos Açores e que terá sido trazida com os Algarvios, já que é o único local do Continente onde esta tradição de fazer bonecos na madrugada do 1º de Maio existe.  Todos os anos, mais ou menos, lá aparecem com a sátira, normalmente politica, escrita em cartolina colocadas à frente dos bonecos. 
Acredita-se que esta tradição tem  origem em antigos ritos e cultos agrários, praticados pelos nossos antepassados, com o objectivo de assinalar o final do Inverno e a chegada da Primavera.
 Ao pôr do Sol e de uma forma quase subtil, os maios desaparecem, regressando no próximo Ano.

Início das Ligações Marítimas Sazonais nos Açores



A empresa Atlânticoline vai começar a operação sazonal nos Açores no seguimento da reinspeção de que foi feita ao navio Express Santorini.

O presidente da empresa refere que na operação sazonal, efetuada por dois navios fretados, assistiu-se em 2015 a uma redução de 6% no transporte de passageiros devido às diversas avarias com que a operadora foi confrontada nos meses de junho e agosto, tendo nos restantes meses aumentado o número de passageiros.

A empresa está convencida que a operação deste ano, se não for confrontada com incidentes, irá ter um aumento da procura por parte de passageiros locais e turistas, na sequência da liberalização do transporte aéreo entre o continente e os Açores.

A operação sazonal de transporte marítimo de passageiros e viaturas vai decorrer até setembro, com dois navios, custando à Atlânticoline 5,6 milhões de euros.


Fonte:http://www.acorianooriental.pt/noticia/ligacoes-maritimas-sazonais-nos-acores-arrancam-na-sexta-feira

Elisabete Almeida

Milhares de relíquias feitas com restos de capas do Santo Cristo

Milhares de relíquias produzidas com pedaços de capas que já adornaram a imagem do Santo Cristo, nos Açores, são distribuídas todos os anos pelos fiéis em troca de donativos, recordações que usam ao peito, e também nos carros e nos barcos.
Ao longo do ano, os fiéis obtêm num espaço próprio no santuário várias lembranças, como terços, medalhas, fitas vermelhas com as medidas da imagem do ‘Ecce Homo’, lenços, azulejos, emblemas bordados para as capas de estudantes e postais.
São, no entanto, as relíquias confecionadas com pedaços dos mantos oferecidos pelos fiéis, capas que se vão estragando ao longo dos anos, as lembranças mais solicitadas.
A imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres tem à volta de 30 capas e é sempre grande a expectativa, anualmente, em redor da capa eleita para cobrir o ‘Ecce Homo’, oferecido às freiras Clarissas pelo papa Paulo III há mais de 400 anos.
“Muitas das capas que o Santo Cristo leva são oferecidas por emigrantes. Mas à medida que vão envelhecendo não podem sair à rua e são reaproveitadas para fazer as relíquias”, explicou à Lusa o reitor do Santuário do Santo Cristo, monsenhor Augusto Cabral.
Nesta semana anterior ao início das celebrações, funcionárias e religiosas trabalham no santuário, onde se fortalece a confeção das pequenas relíquias com restos de capas do Santo Cristo.
“O santuário paga 0,35 cêntimos por cada relíquia. São feitas por religiosas e pessoas que aqui trabalham, uma forma de apoiar também estas pessoas", referiu o reitor, revelando que os pedidos para o envio destas recordações chegam também por via das "milhares de cartas" dos fiéis oriundos de várias partes do mundo, nas quais "manifestam a sua fé e os seus problemas pessoais e familiares".
Monsenhor Augusto Cabral sublinhou o “significado profundo” das festas do Santo Cristo, quer para os católicos residentes nas ilhas e emigrantes, como também para os turistas.







Fonte: http://www.acorianooriental.pt/noticia/milhares-de-reliquias-feitas-com-restos-de-capas-do-santo-cristo

Um passeio por santa Maria


Esta será uma das sugestões para fazer uma visita à ilha de Santa Maria e conhecer um pouco da sua historia. Para isso, comece na Aerogare do aeroporto de Santa Maria, onde poderá perceber um pouco da história do aeroporto e a importância deste na vida e na economia da ilha durante as décadas de 40 e 50, passando depois pelo chamado poço dos Americanos, onde habitam várias aves, entre elas a
Garça cinzenta, a Garça Branca e a galinha de água, só que para aprecia-las tem de ser bem cedo ou mesmo ao fim da tarde. Nesta zona também podemos conhecer o edifício onde esteve sediada a sede da famosa FLA (Frente de Libertação dos Açores) que ao serem investigados pela "PIDE" Os membros da FLA criaram uma espécie de aviário para fazer passar despercebidos correspondência entre si, sendo as siglas FLA interpretadas como "Frangos de Lisboa e Açores", havendo mesmo uma criação de frangos na sede a quando das visitas inesperadas da Policia Internacional do Estado, a "PIDE". De salientar que neste momento serve de abrigo a caprinos. Seguimos caminho e entramos na mata do aeroporto, zona de lazer e de muitos piqueniques de famílias e funcionários do aeroporto aos finais de semana, onde pode praticar um pouco de desporto, esta é uma zona favorita para a pratica do  
paintball. Paragem no antigo campo de futebol, onde se praticava não só o futebol como o criquet, o baseball e outras modalidades existentes na época.  
Chegamos ao Clube Asas do Atlântico, casa da primeira rádio Açoriana e que ainda hoje leva Santa Maria e os Açores aos 4 cantos do mundo, Fundado a 5 de Outubro de 1946, foi
peça importante durante a II guerra mundial, durante a revolução do 25 de Abril e durante o terramoto de 80, ao longo dos anos teve um papel importante também na área do desporto Mariense, nas modalidades de futebol de 11, l voleibol, tiro ao prato e andebol e á 35 anos é também responsável pela realização da prova de rally " Alem Mar Santa Maria". De salientar que foi nesta casa que jogou e saiu o grande jogador português, Jorge Vicente, 7 vezes campeão Nacional e mundial pelo Benfica e por Portugal, partiu desta casa com apenas 15 anos para a academia do Benfica. Uma casa que também nos presenteia com sala de jogos, bar e biblioteca para as horas de lazer e ainda salão de festas para vários eventos ao longo do ano, entre eles os bailes de Carnaval e passagem de ano. Paragem em mais um clube desportivo, o Clube Ana de Santa Maria, fundado em 1981, este clube já teve modalidades como o hóquei em patins, natação, hoje abrange as modalidades de basketball, voleibol, karaté e setas, tem também um grupo de teatro, tendo também passado para seu poder o histórico cinema do aeroporto. Tem piscina própria que de verão delicia os mais jovens, salão de jogos, bar, cantinho destinado aos mais pequeninos para que os pais possam desfrutar do espaço e ainda um espaço destinado aos seus atletas que não possam ir a casa antes do treino para que possam estudar ou fazer os trabalhos de casa. Depois caminhamos até ao campo municipal de Vila do Porto, onde ficamos a saber que no tempo do futebol de 11, que já não existe, a água era aquecida a lenha e quando o vento estava de certo lado, tomar banho não era fácil pois o fumo entrava para dentro em vez de sair, depois de ser palco de vários jogos importantes e do encerramento do futebol de 11, este campo foi espaço para feiras agropecuárias, circos, eventos musicais, etc. Seguimos para a pedreira do campo onde se pode ver como se extraia as grandes lajes de pedra de cantaria que serviram para a construção de tantas habitações e de como foram formadas, piroclaustos cuspidos pelo ar, que na queda se uniam devido a grandes temperaturas, Mesmo ao lado o poço do Jofre, era conhecido pela quantidade de peixes de água doce,

Atravessando pela zona industrial, caminho da canada do campo, fomos ao encontro do nosso mais jovem clube desportivo, os Marienses, Fundado a 25 de Outubro de 1984, os Marienses já levaram o nome de Santa Maria muito longe, de salientar à pouco tempo atrás recebemos na nossa ilha o sporting Clube de Portugal para os quartos de final da taça de Portugal em andebol. Um clube forte, que tem outras modalidades como a natação, o voleibol, o futsal e Basket. Este clube conta ainda com sala de jogos, zona de lazer com bar, 32 camas para as deslocações de outras equipas em competição e restaurante próprio aberto a toda a comunidade.
Próxima paragem, Convento dos Franciscanos, actual Câmara Municipal de Vila do Porto.
1ª Convento de Franciscanos dos Açores, foi á terceira tentativa e no ano de 1604 que foi concedida a bula, por parte de Roma para a construção de um convento na ilha. Pertencente a este convento encontra-se a igreja das Vitórias e de salientar a pintura em azulejo do século XI/XII à direita quem entra, que retrata o sermão de santo António aos peixes. Actualmente está ao serviço da câmara municipal, para eventos públicos.

 Descendo a rua principal fomos ao encontro do nosso mais antigo clube desportivo mariense o Gonçalo Velho.  
Fundado a 8 de Junho de 1945, o Clube Desportivo Gonçalo Velho conta com uma longa história no desporto mariense. Este clube conta hoje com várias modalidades como o basket, futsal masculino e feminino e é o único clube nos Açores com um núcleo de pedestrianismo.
Aqui podemos ver as merecidas homenagens ao seu fundador Manuel Viúla e ao seu mais antigo colaborador Max Brix Elisabeth, aos seus jogadores que tinham este clube no coração. Seguimos caminho até ao Forte de São Brás, atravessamos a ribeira de são Francisco e subimos em direcção a pedreira do campo para uma paragem obrigatória. A Pedreira do Campo é um Geositio, as suas formações vulcânicas ascendem os 5 milhões de anos, é visível a olho nu as várias erupções vulcânicas ocorridas entre os vários
milhões de anos, A primeira com sedimentos calcificados á cerca de 5 milhões de anos, uma seguinte de cor avermelhada ocorrida numa segunda erupção 2 mil anos depois e as pilolavas duma terceira erupção. Estas pillolavas foram bolas de lava arrefecidas automaticamente. De salientar que estas erupções acorreram
debaixo de água, ou Seja, toda aquela zona era uma zona subaquática. É ainda visível fosseis nas várias formações rochosas e mais a frente num miradouro pode-se admirar não só a paisagem da nossa costa com o ilhéu da vila ao fundo.  
Subida ao cume do Pico do Faicho com uma vista soberba sobre Vila do Porto e
Almagreira e do outro lado a Praia Formosa. Descemos a montanha em direcção à carreira onde nos deliciamos com a entrada no moinho de vento da carreira recentemente reconstruído.


Fonte das imagens: Luísa Coelho

A lenda do Senhor Santo Cristo



 A Lenda do Senhor Santo Cristo,  é uma tradição da freguesia de Água de Pau, na ilha de São Miguel


Há muito tempo, as freiras do Convento da Caloura sentiam-se muito tristes porque o povo da localidade de Água de Pau estava a ficar muito afastado da fé e do temor a Deus. Estas irmãs passavam muito tempo a rezar com grande fervor e esperavam que, se tivessem uma imagem nova no seu convento, poderiam atrair os paroquianos de volta aos caminhos da .

Resolveram escrever uma carta ao papa em Roma, para pedir que lhes fosse oferecida uma imagem nova para o convento, visto que não tinham dinheiro para a comprarem pelos seus próprios meios. Mas quando receberam a resposta, verificaram que o seu pedido não podia ser atendido. No entanto as irmãs do Convento da Caloura não desesperaram e, apesar das adversidades, continuaram com a fé de que um dia iriam ter uma imagem nova.

Reza a lenda que estes acontecimentos ocorreram numa época em que havia muitos piratas e corsários a percorrer os mares dos Açores. Uma nau que passava ao largo da ilha de São Miguel foi atacada por barcos piratas e muitos dos seus destroços acabaram por dar à costa ao longo de vários dias.
Num destes dias, depois de terem terminado os seus afazeres nos jardins do convento, as freiras encontravam-se a descansar à beira-mar quando viram na água, a flutuar junto às pedras, uma caixa da qual parecia emanar uma luz. Curiosas, desceram para a costa, puxaram o caixote para a praia e quando o abriram viram que continha um lindo busto de Cristo. A imagem tinha um olhar vivo e uma expressão humilde e serena.

De imediato as religiosas acharam que tinham recebido um milagre, porque o Santo Cristo tinha escolhido aportar à ilha de São Miguel, ilha cujo povo tinha fama de ser muito crente. Quando os habitantes de Água de Pau tomaram conhecimento do ocorrido ficaram muitos felizes e a sua fé cresceu. A fama da imagem rapidamente se espalhou desde a vila a outros locais da ilha, juntamente com a fama dos milagres feitos pelo Santo Cristo. Desde essa época, Santo Cristo passou a ser a esperança e uma forma de apoio para todos os habitantes da ilha de São Miguel.

Por muitos anos esta imagem do senhor Santo Cristo foi venerada no Convento da Caloura. No entanto, devido à proximidade deste com o mar e devido aos constantemente ataques por parte dos piratas, as freiras tiveram que se retirar para Ponta Delgada, para o Convento de Nossa Senhora da Esperança, para onde levaram a imagem de Santo Cristo, onde ainda hoje se encontra.”

Atualmente continua a se realizar a festa em honra ao Senhor Santo Cristo, é realizada todos os anos, no quinto domingo após o domingo de Páscoa, e continua a receber muitos apoiantes e visitantes.




Mónica Martins

1 de Maio, Dia do Trabalhador



"1 de maio é o Dia do Trabalhador, data que tem origem a primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago, e numa greve geral em todos os Estados Unidos, em 1886. Três anos depois, em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial. Foram os factos históricos que transformaram o 1 de maio no Dia do Trabalhador. Até 1886, os trabalhadores jamais pensaram exigir os seus direitos, apenas trabalhavam.
No dia 23 de Abril de 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de maio como feriado, e uns anos depois a Rússia fez o mesmo.
No Brasil é costume os governos anunciarem o aumento anual do salário mínimo no dia 1 de maio.
No calendário litúrgico celebra-se a memória de São José Operário por tratar-se do santo padroeiro dos trabalhadores.
Em Portugal, os trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio logo em 1890, o primeiro ano da sua realização internacional. Mas as ações do Dia do Trabalhador limitavam-se inicialmente a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio, e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e ativistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.
Com as alterações qualitativas assumidas pelo sindicalismo português no fim da Monarquia, ao longo da I República transformou-se num sindicalismo reivindicativo, consolidado e ampliado. O 1.º de Maio adquiriu também características de ação de massas. Até que, em 1919, após algumas das mais gloriosas lutas do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da indústria.
Mesmo no Estado Novo, os portugueses souberam tornear os obstáculos do regime à expressão das liberdades. As greves e as manifestações realizadas em 1962, um ano após o início da guerra colonial em Angola, são provavelmente as mais relevantes e carregadas de simbolismo. Nesse período, apesar das proibições e da repressão, houve manifestações dos pescadores, dos corticeiros, dos telefonistas, dos bancários, dos trabalhadores da Carris e da CUF. No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.
Ficarão como marco indelével na história do operariado português, as revoltas dos assalariados agrícolas dos campos do Alentejo, que tiveram o seu grande impulso no 1.º de Maio de 62. Mais de 200 mil operários agrícolas, que até então trabalhavam de sol a sol, participaram nas greves realizadas e impuseram aos agrários e ao governo de Salazar a jornada de oito horas de trabalho diário.
Claro que o 1.º de Maio mais extraordinário realizado até hoje, em Portugal, com direito a destaque certo na história, foi o que se realizou oito dias depois do 25 de Abril de 1974."
Ana Antunes